DOENTES DE CÂNCER NÃO CONSEGUEM TRATAMENTO EM MACAÉ E TÊM QUE RECORRE A OUTRAS CIDADES
Macaé não conta com serviços de radioterapia e quimiterapia no serviço público, obrigando pacientes a se tratar em Campos ou no Rio
Macaé a cada dia se torna o reflexo do caos. Uma cidade rica, mas que não possui atendimento para os que sofrem de câncer. O município não tem um serviço que contemple o atendimento integral para o paciente portador da doença. Além disso, não possui ações efetivas na promoção da saúde voltada para o câncer na detecção precoce, na assistência aos pacientes, na vigilância, na formação de recursos humanos, na comunicação e mobilização social, na pesquisa e na gestão dos recursos vistos de uma maneira global.
O alerta foi dado pelo médico e ex-secretário municipal de Saúde Humberto Assumpção, que reconhece a existência de atividades relacionadas à promoção da saúde - no caso, as ações desenvolvidas pela Unamama - e algumas atividades de apoio ao paciente que já desenvolveu a doença e que já foi tratado, como é o caso do Centro de Apoio ao Paciente Oncológico (Capo). O artigo foi publicado pelo site 'Denuncia Macaé'. No documento Assumpção, que é oncologista clínico e membro da Sociedade Brasileira de Cancerologia, lamenta que muitas pessoas portadores de câncer não têm recebido a merecida atenção das autoridades de saúde do município, o que acaba agravando o quadro clínico do paciente.
Ação x Doença - Na entrevista o médico disse que Macaé precisa organizar o atendimento ao paciente oncológico, tendo por base um sistema hierarquizado, em que os dados baseados em índices de mortalidade e incidência, serviriam de ponto de partida para se estabelecer uma política municipal de atendimento integral ao paciente. "As outras ações a serem desenvolvidas são aquelas que já são feitas desarticuladamente, como a promoção de saúde, a detecção precoce, a formação de recursos humanos, a comunicação e mobilização social. Essas ações integradas representariam uma racionalização no uso dos recursos públicos e uma otimização desses mesmos recursos", afirmou o médico.
Com referência a recursos humanos, Assumpção diz que Macaé, atualmente, possui profissionais plenamente capacitados para atender o paciente oncológico. "No que diz respeito a equipamentos, Macaé possui tomógrafos, endoscópios e laboratório. A parte de atendimento em cirurgia oncológica e quimioterapia dependem única e exclusivamente da vontade política dos gestores municipais, no sentido de organizar a Unacom - Unidade de Alta Complexidade para Atendimento ao Paciente Oncológico", acrescentou.
Solicitação - Assumpção recorda que na última campanha eleitoral, um grupo de macaenses fez um abaixo-assinado solicitando a implantação do serviço. "Foi confirmado pelo deputado estadual Glauco Lopes, que a secretaria estadual de Saúde, através da bipartite, e o Ministério da Saúde, já haviam credenciado o município de Macaé para a implantação do Unacom, inclusive com liberação de recursos, que teriam sido utilizados fora da finalidade a que estavam destinados. Passada a campanha eleitoral, o assunto foi esquecido", informou Dr. Humberto.
Mau atendimento - Ainda na entrevista o médico alertou que as pessoas portadoras de câncer em Macaé continuam sendo mal atendidas em todos os sentidos: na prevenção, na promoção da saúde e, sobretudo, no atendimento médico. "Os pacientes continuam a ser encaminhados para o Inca (Instituto Nacional do Câncer, que está em grave crise) ou para Campos. Um fato que me surpreende é que o bairrismo de Macaé em relação a Campos é tão acentuado. No entanto, o município vizinho tem três serviços de oncologia clínica credenciados e radioterapia, enquanto as autoridades macaenses ainda não se mobilizaram para mudar realidade local", confirmou.
Um de seus pacientes fora encaminhado para o Inca, com diagnóstico de tumor na língua. Posteriormente foi enviado pelo Inca para Campos e morreu de hemorragia oral, em um bar na Praia dos Cavaleiros, onde ele guardava sua bicicleta utilizada para trabalhar como vendedor ambulante. Segundo Assumpção, o paciente andou por todos os hospitais de Macaé para fazer uma transfusão sanguínea, a seu pedido, e não foi atendido. "Um dia depois de sua morte, ele começaria o tratamento de quimioterapia e radioterapia em Campos. Ele já estava com toda a documentação pronta, tinha 25 anos de contribuição para o INSS, portanto, prestes a se aposentar, mas morreu antes de conseguir".
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